Chamada de trabalhos. «As cidades na era da globalização: municipalismo internacional e direito à cidade»

30 novembre 2018
ORGANITZAT PER: CIDOB

COL·LABORADORS (1):

Objectiu

Revista CIDOB d'Afers Internacionals nº. 123

Barcelona, ​​outubro de 2018 

 Coordenadoras científicas da monografia

  • Raquel Rolnik, professora de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo
    • Eva Garcia Chueca, coordenadora científica, Programa Cidades Globais, CIDOB

Contexto e justificativa do número

Vivemos na era das cidades: mais da metade da população mundial vive nelas e as previsões sugerem que essa tendência aumentará nas próximas décadas. Também vivemos na era da globalização: hoje o mundo está irremediavelmente interconectado e sujeito a interdependências que nos forçam a pensar e agir fora dos marcos teóricos e políticos convencionais.

Os fenômenos da urbanização e da globalização, longe de ocorrerem em paralelo, estão intimamente interligados. A urbanização é um fenômeno global e a globalização, por sua vez, expressa-se fortemente nas cidades: a relocalização da indústria produtiva, a transnacionalização da economia financeira e seu impacto decisivo na reestruturação das cidades, o surgimento de dinâmicas de mobilidade que vão além das fronteiras nacionais e que têm cidades em todo o mundo como epicentro, etc. Da mesma forma, fenômenos como a degradação ambiental, o crescimento desordenado de seu ambiente físico e a proliferação de situações de condições habitacionais inadequadas, entre outros, têm se globalizado nas cidades. 

Nesse contexto, é fundamental refletir sobre como as cidades tentam responder a esses problemas e se são efetivamente capazes de incidir sobre a governança dos fenômenos mencionados, considerando que estes expressam-se além de seus limites territoriais. Neste sentido, é especialmente relevante analisar o impacto do municipalismo internacional e do direito à cidade. Em que medida os processos de descentralização implementados desde a década de noventa conseguiram fortalecer a capacidade dos governos municipais de atuar dentro dos sistemas de governança global? Em que medida o direito à cidade –reivindicado como a construção social da cidade– contribui para transformar o modelo urbano predominante? Quais são os limites estruturais dos governos locais como motor de mudança nesse sentido?

O n.º 123 da Revista CIDOB d'Afers Internacionals pretende aprofundar na configuração, o impacto e os limites do municipalismo internacional, especialmente no que diz respeito à luta pelo direito à cidade. Para isso, buscam-se contribuições rigorosas que contribuam a responder algumas dessas questões, não apenas refletindo com base na experiência das instituições (governos, organizações multilaterais, redes municipais, etc.), mas também com base nas alternativas promovidas por atores sociais (movimentos, associações de profissionais, sindicatos, organizações comunitárias, etc.).

Além disso, em um momento em que a política mundial está cada vez mais permeada por duas tendências –as cidades como um novo ator das relações internacionais e a desocidentalização do sistema geopolítico global–, esta edição especial visa também refletir com base em quadros teóricos que ultrapassam os esquemas moderno-ocidentais com o objetivo de promover uma análise que permita apreender a diversidade de experiências e inovações existentes em todo o mundo.

Contribuições feitas a partir de uma abordagem transdisciplinar (urbanismo, sociologia, economia, direito, geografia, ciências políticas, antropologia, cultura, relações internacionais, etc.) serão bem-vindas, além de terem como eixostransversais o reconhecimento e a valorização das diversidades, a abordagem de gênero e a sustentabilidade.

Especificamente, os textos que refletem um trabalho original –empírico-comparativo e/ou teórico– sobre as seguintes questões serão priorizados (lista não exaustiva):

  1. Quais cidades e atores locais conseguem desempenhar um papel importante na governança mundial e com que propostas políticas?
  2. Em que medida o municipalismo internacional contribui para o desenvolvimento de diálogos interculturais entre cidades do mundo ou, pelo contrário, para reproduzir padrões de dominação Norte-Sul?
  3. Quais são os limites do municipalismo internacional como ferramenta para enfrentar as problemáticas glocais e a necessidade de promover uma mudança no modelo urbano?
  4. Em que medida o municipalismo internacional contribui para o avanço do direito à cidade como alternativa ao modelo urbano predominante?
  5. Como o direito à cidade é interpretado em diferentes contextos geográficos (através de quais ferramentas, práticas e políticas)?

Resumos serão aceitos em espanhol, inglês e português.

O Conselho Editorial da revista sob a coordenação científica de Raquel Rolnik e Eva Garcia Chueca será responsável pela seleção final dos artigos que serão publicados no terceiro número de 2019 (dezembro).

Criada em 1982, a Revista CIDOB d'Afers Internacionals é uma publicação científica de relações internacionais que edita obras originais. Cada edição é um número monográfico coordenado por um especialista que analisa em profundidade, desde uma perspectiva multi e transdisciplinar, um tema da realidade internacional. Os artigos passam por um processo externo de revisão por especialistas de duplo anonimato e são indexados e resumidos nas principais bases de dados acadêmicas em ciências sociais, como Scopus e Thomson Reuters. A publicação é destinada à comunidade acadêmica e ao público interessado em geral. É publicada em papel e no formato digital.

 

 

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